Pais, Filhos, Professores e Coleguinhas.
Vivemos em um mundo acelerado. Entre compromissos de trabalho, contas para pagar, trânsito, cobranças e pressões do dia a dia, muitas vezes não percebemos que estamos carregando para dentro de casa o peso da nossa própria correria. E quem acaba recebendo esse reflexo? Os nossos filhos.
Crianças que muitas vezes são taxadas de ansiosas, irritadas, briguentas, ou até mesmo diagnosticadas com transtornos que, em alguns casos, não passam de um espelho daquilo que nós, como pais e adultos, transmitimos sem querer.
Não é que falte amor. Nós amamos, cuidamos, protegemos. Mas na pressa, no cansaço, na irritabilidade, esquecemos que crianças não entendem o mundo da mesma forma que nós. Elas sentem. Sentem quando estamos ausentes, mesmo estando presentes. Sentem quando o abraço é rápido demais, quando a atenção é dividida, quando a paciência se perde antes da hora.
E aí, dentro da sala de aula, na brincadeira com os amigos, ou até mesmo em casa, elas reproduzem o que veem, o que absorvem de nós. E esse ciclo vai se repetindo, não só entre pais e filhos, mas também entre professores e alunos, porque todos estamos vivendo o mesmo turbilhão de pressões.
Por isso, essa é uma mensagem de reflexão: nossos filhos não precisam de pais perfeitos, mas de pais que se percebam. Que olhem para dentro de si, que aprendam a desacelerar, nem que seja por alguns minutos do dia, para estar inteiros com eles. Que compreendam que mais do que brinquedos, mais do que roupas novas, eles precisam de um colo que transmita segurança, de uma presença que traduza amor, de um tempo que ensine calma.
Talvez não consigamos mudar o mundo lá fora, mas podemos mudar a forma como o mundo dentro de casa é construído. Porque um filho que se sente amado de verdade, compreendido e respeitado, será sempre um reflexo de esperança em meio à correria da vida.