A Parábola da Casa que Respirava

Diz a história que havia uma família que morava numa velha casa de madeira no alto de um morro. A casa era simples, mas tinha um detalhe especial: ela respirava.

Ninguém via, mas todas as noites, quando a cidade se calava, a casa soltava um suspiro leve, como quem sente falta de alguma coisa. Era o tempo que ela guardava dentro de si.

Na sala, ecoavam as risadas de quem já não ria mais ali. No corredor, ainda parecia roçar o vento das correrias das crianças que cresceram depressa. Na cozinha, o cheiro dos almoços de domingo insistia em permanecer, mesmo quando a mesa já estava vazia.

Certa noite, a filha caçula — agora adulta, cheia de pressa e responsabilidades — voltou à velha casa para buscar alguns objetos que havia deixado para trás. Ela entrou apressada, sem intenção de ficar. Não percebeu que, ao abrir a porta, a casa prendeu a respiração… como quem teme perder mais um pedaço da história.

A jovem caminhou pelos cômodos, mexendo em caixas antigas, até que encontrou uma foto. Era ela, ainda criança, sentada no colo do pai, rindo sem medo do tempo. Aquela imagem parou tudo dentro dela. Pela primeira vez em muito tempo, ela respirou fundo — e a casa respirou junto.

Sentiu a presença de quem já tinha partido, a saudade de quem já estava longe, a falta do que ela mesma deixou escapar na correria da vida. E ali, no silêncio daquele lar que guardava memórias vivas, ela percebeu que a família não é feita apenas de pessoas, mas dos instantes que escolhemos valorizar enquanto ainda existem.

A casa então soltou um último suspiro — não de tristeza, mas de alívio. Porque alguém finalmente tinha entendido.

A jovem trancou a porta, mas saiu diferente. Deixou a velha casa para trás… e levou a família consigo no coração.

Postagens mais visitadas deste blog

A Lição da Carpintaria.

Jesus Cristo é a Verdade e a Vida.

OFFICE BOY

Mensagem de Reflexão- O Lenhador e a Rapoza

Quem Sou eu: