A LIÇÃO DA ÁRVORE QUE DEMOROU A FLORESCER

Conta uma antiga história que um homem plantou duas árvores no quintal.

A primeira cresceu rápido. Em poucos meses já chamava a atenção de todos. Era bonita, vistosa e parecia prometer muitos frutos.

A segunda demorava. Passavam-se os dias, os meses, os anos... e quase nada acontecia. Quem olhava de fora dizia:

— Essa árvore não vai dar em nada.

O homem, porém, continuava regando.

Muitos riam dele.

— Você está perdendo tempo.

Mas ele continuava acreditando.

Até que um dia aquela árvore começou a crescer. E cresceu tanto que suas raízes se tornaram mais profundas que todas as outras. Seus galhos alcançaram alturas que ninguém imaginava. E quando finalmente deu frutos, eles eram fortes, abundantes e duradouros.

A vida tem muito disso.

Vivemos numa época em que queremos resultados imediatos. Se não acontece agora, desistimos. Se não é perfeito, criticamos. Se alguém erra, condenamos.

Talvez por isso exista tanta desconfiança.

A Seleção Brasileira venceu. Lutou. Mostrou evolução. Mas ainda há quem diga:

— Não acredito.

E isso não acontece apenas no futebol.

Acontece dentro de casa.

Há pais que olham para os filhos e, por mais que eles se esforcem, parece nunca ser suficiente.

Acontece no trabalho.

Há pessoas que dão o melhor de si todos os dias, mas continuam sendo comparadas com alguém do passado.

E acontece conosco.

Às vezes olhamos para nossa própria vida e esquecemos o quanto já caminhamos porque estamos ocupados demais comparando nossa história com a história dos outros.

Essa geração da Seleção jamais será Pelé.

Jamais será Garrincha.

Jamais será Rivellino.

Jamais será Ronaldo Fenômeno.

Jamais será Ronaldinho Gaúcho.

E nem precisa ser.

Porque cada geração tem sua missão.

O problema é que muitas vezes cobramos que os jogadores de hoje sejam a cópia perfeita dos ídolos de ontem.

E ninguém consegue vencer uma disputa contra fantasmas do passado.

O filho não será igual ao pai.

O pai não foi igual ao avô.

E o Brasil de hoje não será igual ao Brasil de 1970 ou de 2002.

Mas isso não significa que não possa escrever sua própria história.

Talvez o que esteja faltando não seja talento.

Talvez esteja faltando aquilo que toda conquista precisa para nascer: confiança.

Acreditar não garante a vitória.

Mas desacreditar antes da hora garante a derrota.

A próxima quarta-feira ainda está por vir.

O jogo ainda não terminou.

A história ainda não foi escrita.

E quantas vezes Deus já nos surpreendeu justamente quando tudo parecia impossível?

Por isso, antes de criticar, incentive.

Antes de comparar, valorize.

Antes de desistir, espere mais um pouco.

Porque algumas das maiores vitórias da vida começam exatamente quando ninguém mais acredita.

E talvez a pergunta que fica nesta manhã não seja se o Brasil vai conseguir.

Talvez a pergunta seja:

Em quais sonhos da sua vida você deixou de acreditar cedo demais?

Pense nisso.

E tenha um excelente dia.


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