A CASA ONDE NUNCA ENTRAVA SOL
Certa vez, havia um homem que reclamava de tudo.
Quando fazia sol, ele dizia:
— Que calor insuportável!
Quando chovia:
— Essa chuva não dá trégua!
Quando fazia frio:
— Que frio desgraçado!
Se estava sem dinheiro, reclamava que a vida era injusta.
Quando conseguia ganhar um pouco mais, reclamava dos impostos.
Tinha um carro bom, mas reclamava porque a manutenção era cara.
Tinha uma casa confortável, mas reclamava da conta de luz.
Tinha saúde, mas reclamava do trabalho.
Tinha trabalho, mas reclamava do cansaço.
Tinha família, mas reclamava que ninguém o entendia.
E, de tanto reclamar, ele já nem percebia mais as coisas boas que tinha.
Um dia, cansado de ouvir suas próprias reclamações, ele resolveu procurar um velho sábio que morava numa pequena casa no alto de uma montanha.
Chegando lá, começou:
— Minha vida está difícil. Nada dá certo. É calor demais, chuva demais, dinheiro de menos, trabalho demais...
O velho ouviu tudo em silêncio.
Depois pegou um copo e colocou água até a metade.
— O que você está vendo? — perguntou.
— Um copo pela metade.
O velho respondeu:
— Exatamente. E você pode passar o resto da sua vida reclamando que ele está meio vazio... ou pode agradecer porque ainda existe água dentro dele.
O homem ficou em silêncio.
Então o velho continuou:
— O problema não é você ter problemas. Todo mundo tem. O problema é quando a reclamação fica tão grande que ela começa a esconder aquilo pelo que você deveria agradecer.
E disse uma coisa que aquele homem jamais esqueceu:
“Tem gente que passa a vida procurando aquilo que está faltando e esquece de agradecer por aquilo que não falta.”
E talvez essa história seja mais sobre nós do que gostaríamos de admitir.
Porque, se formos honestos, quantas vezes fazemos isso?
Reclamamos do sol e esquecemos que precisamos dele.
Reclamamos da chuva e esquecemos que existe gente esperando por ela.
Reclamamos do frio, mas esquecemos que temos uma cama, um cobertor, uma casa.
Reclamamos do trabalho, mas esquecemos de quem gostaria de ter uma oportunidade.
Reclamamos do dinheiro que não sobra, mas muitas vezes esquecemos que temos comida na mesa.
Reclamamos do carro que dá manutenção, enquanto existe alguém sonhando simplesmente com a possibilidade de ter um carro.
Reclamamos de coisas pequenas que, para outra pessoa, seriam grandes conquistas.
E não estou dizendo que devemos fingir que os problemas não existem.
Não.
Existem injustiças. Existem dificuldades. Existem momentos em que reclamar é necessário, porque algumas coisas precisam ser mudadas.
Mas existe uma diferença enorme entre reclamar para mudar e reclamar por hábito.
Uma coisa é buscar solução.
Outra coisa é transformar a reclamação em personalidade.
E isso é perigoso.
Porque gente que reclama de tudo começa, sem perceber, a contaminar quem está ao redor.
Você chega perto e a pessoa reclama.
Manda uma mensagem e ela reclama.
Conversa sobre o trabalho: reclama.
Sobre o tempo: reclama.
Sobre dinheiro: reclama.
Sobre política: reclama.
Sobre a vida: reclama.
E quando você percebe, saiu daquela conversa mais pesado do que entrou.
Por isso, talvez hoje seja um bom dia para cada um de nós fazer uma pergunta:
“Eu tenho problemas demais... ou tenho gratidão de menos?”
Porque talvez a felicidade não seja ter uma vida sem problemas.
Talvez seja aprender a não permitir que os problemas nos façam esquecer das bênçãos.
E tem outra coisa importante.
Nós estamos vivendo um ano em que muitas decisões serão tomadas pelo voto.
E política não deveria ser religião.
Político não deveria ser ídolo.
Nenhum candidato deveria ocupar o lugar que pertence à nossa própria consciência.
Mas também não podemos cometer o erro de achar que política não tem nada a ver com a nossa vida.
Tem.
As decisões de quem governa interferem no emprego, nos impostos, na saúde, na educação, na segurança, nas estradas, nos preços e nas oportunidades.
Por isso, neste ano, talvez a melhor atitude não seja simplesmente reclamar de tudo.
É observar, pesquisar, comparar e escolher com consciência.
Não vote apenas porque alguém gritou mais alto.
Não vote apenas porque alguém prometeu mais.
Não vote por ódio.
Não vote por amizade.
E, principalmente, não entregue a ninguém a responsabilidade pela sua própria vida.
Escolha representantes, mas continue sendo protagonista da sua história.
Porque existe uma coisa que nenhum político pode fazer por nós:
mudar a maneira como enxergamos a vida.
E talvez essa seja a grande moral da história.
Antes de reclamar que o copo está meio vazio...
olhe para a água que ainda existe dentro dele.
Antes de reclamar do que falta...
olhe para tudo aquilo que permanece.
Antes de reclamar da vida...
lembre-se de que, para alguém, aquilo que você chama de problema pode ser exatamente aquilo que essa pessoa chama de sonho.
Então, hoje, experimente fazer diferente.
Em vez de reclamar do sol, agradeça pela luz.
Em vez de reclamar da chuva, agradeça pela água.
Em vez de reclamar do frio, agradeça pelo abrigo.
Em vez de reclamar do trabalho, agradeça pela oportunidade.
Em vez de reclamar do que você ainda não conquistou...
agradeça pelo caminho que já percorreu.
Porque talvez a vida não esteja sendo tão injusta com você.
Talvez você simplesmente tenha se acostumado tanto a olhar para aquilo que falta...
que deixou de enxergar tudo aquilo que Deus já colocou nas suas mãos.
E quando você muda a maneira de olhar para a vida...
a vida começa a parecer diferente.