A Última Cadeira


Certa vez, um homem recebeu um convite para uma festa.

Era uma festa muito importante. Ele havia esperado por aquele momento durante anos.

Mas, quando chegou, percebeu que havia alguma coisa estranha.

O salão estava cheio.

Havia pessoas sorrindo, música tocando, comida sobre as mesas e histórias sendo contadas.

Mas, no fundo do salão, havia uma única cadeira vazia.

Ele perguntou:

— Para quem é aquela cadeira?

E alguém respondeu:

— É para você.

Ele achou estranho.

— Mas eu já estou aqui.

O homem então ouviu uma voz:

— Essa cadeira representa todos os momentos em que você esteve presente de corpo, mas ausente de coração.

Ele ficou em silêncio.

E começou a lembrar.

Lembrou das vezes em que estava sentado à mesa com a família, mas preocupado com o trabalho.

Das vezes em que alguém que ele amava queria conversar, mas ele respondeu:

“Depois a gente conversa.”

Lembrou das ligações que não atendeu porque estava ocupado.

Dos abraços que deixou para depois.

Dos “eu te amo” que imaginou que as pessoas já soubessem.

Lembrou também de quantas vezes reclamou da vida sem perceber que, justamente naquele dia, estava vivendo algo que um dia sentiria saudade.

E então perguntou:

— E quanto tempo eu tenho para ocupar essa cadeira?

A resposta foi:

— Ninguém sabe.

Foi quando ele percebeu uma das maiores verdades da vida:

A gente recebe a vida como se tivesse prazo para devolvê-la. Mas ninguém recebe o recibo dizendo quando é o vencimento.

A gente planeja a próxima semana.

O próximo mês.

O próximo ano.

“Quando eu ganhar mais dinheiro…”

“Quando eu resolver meus problemas…”

“Quando eu tiver mais tempo…”

“Quando as coisas melhorarem…”

E, enquanto esperamos o momento certo para começar a viver, o relógio continua andando.

Os filhos crescem.

Os pais envelhecem.

Os amigos mudam.

Algumas pessoas vão embora.

E algumas despedidas chegam sem avisar.

Talvez seja por isso que a vida seja tão preciosa.

Porque ela não nos promete amanhã.

Ela só nos entrega o agora.

E talvez a grande riqueza da vida não esteja naquilo que conseguimos acumular, mas naquilo que conseguimos sentir.

Um abraço apertado.

Uma conversa sem pressa.

Uma risada dentro de casa.

Um café ao lado de quem a gente ama.

A voz de alguém querido dizendo nosso nome.

O filho chamando pelo pai.

A mãe perguntando se você já comeu.

O amigo mandando uma mensagem sem motivo.

Coisas pequenas...

Que um dia podem se transformar nas maiores lembranças da nossa vida.

E sabe o que é mais doloroso?

Muitas vezes a gente só percebe o valor de um momento depois que ele se transforma em saudade.

Por isso, talvez hoje seja um bom dia para parar um pouco.

Olhar para quem está ao nosso lado.

E agradecer.

Não porque tudo está perfeito.

Mas porque, apesar de tudo, estamos aqui.

Ainda temos tempo para pedir perdão.

Ainda temos tempo para abraçar.

Ainda temos tempo para dizer “eu te amo”.

Ainda temos tempo para ligar para alguém.

Ainda temos tempo para fazer diferente.

Ainda temos tempo para viver.

Porque a vida não é sobre ter certeza de quanto tempo ainda temos.

É sobre não desperdiçar o tempo que temos.

Então, se hoje você tem alguém que ama...

Não espere uma data especial.

Não espere uma doença.

Não espere uma perda.

Não espere o último abraço.

Abrace agora.

Diga agora.

Perdoe agora.

Agradeça agora.

Esteja presente agora.

Porque um dia, talvez, aquela cadeira esteja vazia.

E quando esse dia chegar, que a gente não precise olhar para trás e pensar:

“Eu deveria ter amado mais.”

Que a gente possa olhar para trás e dizer:

“Eu estive lá.”

Eu aproveitei.

Eu abracei.

Eu perdoei.

Eu amei.

Eu vivi.

E talvez essa seja a grande moral dessa história:

A vida não nos pede que sejamos perfeitos. Ela só nos pede que estejamos presentes enquanto ainda podemos estar.

Porque no final...

não são as contas pagas que vão abraçar a gente.

Não são os bens materiais que vão sentir nossa falta.

Não é o dinheiro que vai sentar ao nosso lado.

Serão as pessoas.

As pessoas que amamos.

As histórias que construímos.

Os momentos que dividimos.

E as lembranças que deixamos.

Então, antes de sair de casa hoje...

olhe para quem você ama.

E, mesmo que seja difícil dizer...

diga.

“Obrigado por estar aqui.”

Porque talvez você não saiba...

mas esse simples momento pode ser exatamente o momento que, um dia, você mais vai desejar poder viver novamente.


Valorize enquanto existe.
Ame enquanto há tempo.
Abrace enquanto há braços.
Diga enquanto há voz.
E viva enquanto a vida ainda está acontecendo.

Porque o amanhã é uma promessa que ninguém assinou.

Mas o hoje...

o hoje é um presente.

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